Uma nova parceria, viabilizada pela EMBRAPII e pelo Ministério da Saúde, une o rigor acadêmico de centros de excelência à escala industrial para reduzir a dependência externa de insumos anti-inflamatórios.
O ecossistema de biotecnologia brasileiro acaba de ganhar um reforço estratégico que coloca a ciência de base das universidades públicas no centro do desenvolvimento industrial. Em um cenário de novos investimentos federais em saúde, a empresa Aether Global Pharma de Moléculas Inovadoras surge com a missão de converter o conhecimento acadêmico da Unicamp e da UFMG em insumos farmacêuticos ativos (IFAs) inéditos.
A iniciativa ganha tração em um momento crucial: o Ministério da Saúde e a EMBRAPII destinaram recentemente R$ 90 milhões para projetos voltados ao tratamento de doenças crônicas e complexas, como câncer, diabetes e esclerose múltipla, com o objetivo de fortalecer o SUS e reduzir a vulnerabilidade do mercado nacional. Desse total, R$ 12,5 milhões serão investidos no desenvolvimento de uma plataforma produtiva para IFAs anti-inflamatórios em um projeto que reúne as Unidades EMBRAPII CQMED (Unicamp) e FarmaVax (UFMG), além da empresa Aether Global Pharma.
Universidades são os cérebros da operação
O diferencial competitivo da parceria entre universidades e setor industrial reside na qualificação de seu corpo científico. A arquitetura das novas moléculas leva a assinatura do professor Dr. Ronaldo Aloise Pilli, docente aposentado do Instituto de Química da Unicamp e pesquisador colaborador do Centro de Química Medicinal da Unicamp (CQMED). Membro da Academia Brasileira de Ciências e referência internacional em síntese orgânica de moléculas complexas, Pilli aplica décadas de pesquisa de alto nível para desenvolver compostos bioativos com precisão molecular. “Colocar a expertise e a infraestrutura de pesquisa existentes em nossas universidades e centros de pesquisa a serviço do desenvolvimento de abordagens industrialmente viáveis para a produção de insumos farmacêuticos, contando com o apoio da EMBRAPII, permitirá alavancar competências que poderão modificar o cenário atual de extrema dependência e limitada inovação nessa área estratégica para o país”, afirma o pesquisador.
Além dessa expertise, o projeto conta com o Centro de Química Medicinal (CQMED) da Unicamp, liderado pela pesquisadora Dra. Katlin B. Massirer. Como Unidade EMBRAPII e um dos principais polos de química medicinal da América Latina, o CQMED reúne uma equipe altamente qualificada e atua na fronteira do conhecimento, identificando alvos terapêuticos e caracterizando moléculas candidatas a medicamentos com tecnologias avançadas em biologia molecular e bioquímica. “O credenciamento de nosso laboratório como Unidade EMBRAPII permite nossa contribuição para alavancar o PD&I na indústria farmacêutica nacional”, destaca Massirer.
Para assegurar que a ciência de bancada se traduza em terapias seguras, a plataforma integra outra Unidade EMBRAPII, a FarmaVax, vinculada à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O centro é responsável pela etapa crítica de estudos pré-clínicos, garantindo que a inovação gerada na academia atenda aos rigorosos requisitos de eficácia e segurança necessários para o avanço no desenvolvimento de IFAs.
Impacto econômico e social
A estratégia da plataforma é superar o “gargalo” entre o conhecimento acadêmico e o mercado farmacêutico, transformando pesquisas e patentes universitárias em produtos de prateleira. Ao desenvolver tecnologia nacional para doenças de alto custo, a iniciativa fortalece a economia baseada em inovação e oferece uma resposta à crescente pressão financeira sobre os sistemas de saúde globais.
“O Brasil possui excelência científica, mas ainda carece de estruturas capazes de transformar descobertas acadêmicas em ativos farmacêuticos estratégicos”, afirma Patricia Oliveira, CEO da Aether Global Pharma. “A Aether nasce para pavimentar esse caminho, da descoberta molecular à geração de propriedade intelectual.”
Com a convergência entre o capital intelectual da Unicamp e da UFMG, o apoio governamental e a gestão privada da holding Aether Global Pharma, o Brasil reforça ao mercado global que está pronto para deixar de ser apenas um consumidor de tecnologia e passar a atuar como exportador de moléculas de alto valor agregado.
Sobre a FarmaVax
A FarmaVax é uma unidade Embrapii da UFMG composta pelos centros de Medicina Molecular, Nanobiomateriais, Terapias Avançadas e Inovadoras, e Vacinas. Seu objetivo é integrar a pesquisa acadêmica ao mercado, atendendo demandas de P&D&I nos setores de fármacos, radiofármacos, biofármacos e vacinas. Para isso, estabelece parcerias com empresas nacionais e estrangeiras para o desenvolvimento e a transferência de tecnologia para a indústria brasileira.
Sobre a Aether Global Pharma
A Aether Global Pharma é um hub de inovação dedicado ao avanço de moléculas inéditas, da pesquisa translacional à validação clínica (TRLs). Com foco em oncologia, doenças degenerativas e inflamatórias, a empresa conecta ciência, indústria e saúde pública para gerar ativos terapêuticos de alto impacto. Sua expertise abrange desde a síntese química e propriedade intelectual até a modelagem de negócios e validação de processos.
Sobre a EMBRAPII
A EMBRAPII é uma organização social qualificada pelo Governo Federal que, desde 2013, fomenta a inovação na indústria brasileira. Sua missão é impulsionar o desenvolvimento tecnológico nacional ao fortalecer a colaboração entre o setor produtivo, universidades e institutos de pesquisa.

